Um estudo de dois professores da Texas Tech mediu o efeito da regra do heave, o arremesso de desespero no fim do quarto, e o resultado chamou a atenção do r/nba. É pauta de nicho, mas daquelas que rendem debate, porque mexe com estatística, contrato e o velho medo de manchar o aproveitamento.
O trabalho analisou dados de lances a lance de 2015-16 a 2025-26 e aproveitou a regra de 2025-26, que eliminou a penalidade estatística individual para os heaves de fim de quarto. Antes da mudança, quem estava com a bola quando o quarto acabava arremessava em 58% das oportunidades. Depois da reforma, o índice saltou para 94%.
Segundo os autores, a relutância antes da regra se concentrava em arremessadores eficientes e em jogadores em ano de contrato, exatamente o que o modelo previa: quem tinha aproveitamento a proteger preferia segurar a bola. Depois da mudança, essa diferença por eficiência praticamente desapareceu. Para confirmar, o estudo usou o quarto período, que não foi afetado pela regra, como comparação, e concluiu que o efeito é imediato e menor justamente entre quem tinha menos eficiência a proteger.
Na discussão, a torcida foi além do paper. Há quem queira saber se o aproveitamento nesses arremessos subiu ou caiu, e como eles pesariam no FG% e no 3P% gerais de cada jogador. Também apareceu o relato de que a mudança atrapalhou a forma como o Basketball Reference mede heaves, já que esses lances praticamente saíram do play-by-play, e a dúvida sobre se a base da ESPN usada no estudo ainda os inclui.
Voz da torcida
- “Se o contrato do cara tem bônus ligado a aproveitamento de arremesso, não dá para culpar quem evitava o chute. É decisão de negócio.”
- “Um torcedor confessa que gostava de saber quem eram os medrosos que fugiam do chute.”
- “Brincadeira sobre o estudo: são mais de 30 páginas e nenhuma lista com o nome de quem enrolava para inflar estatística.”
- “Na ironia da vez: logo os times vão multar quem não chutar, por conduta prejudicial aos objetivos coletivos da organização.”
- “Pelo olhômetro de quem vê muitos jogos, mudou mesmo: quase não se vê mais jogador esperando meio segundo a mais de propósito para não ter que chutar.”
Se a regra precisa de nome, pelo menos um torcedor já sugeriu o batismo: regra do Jokić.
Guia rápido
- heave — arremesso de longa distância, de muito baixa probabilidade, jogado no fim do quarto só para tentar pontuar antes de a bola perder valor
- ano de contrato (contract year) — última temporada de um contrato, quando as estatísticas do jogador pesam na negociação do próximo
- Basketball Reference — site de estatísticas de basquete muito usado por fãs; um comentário diz que a regra atrapalhou a contagem de heaves lá
- Nikola Jokić — pivô citado num comentário que sugeriu batizar a regra com o nome dele; o material não explica o motivo
A “voz da torcida” é adaptada das reações no tópico do r/nba. Fonte: tópico original (Reddit)