A NBA e as principais casas de apostas esportivas dos Estados Unidos fecharam um acordo para proibir vários tipos de apostas, na esteira dos escândalos recentes do setor. A reação da torcida divide opiniões: há elogio, mas também muita cobrança por um corte mais radical.
Segundo Shams Charania e David Purdum, o acordo veta parlays que combinam apostas em 'menos que' (under) nas estatísticas do mesmo jogador, os mercados chamados de 'first of' — quem vence a bola ao alto inicial ou quem registra primeiro um arremesso, rebote, assistência ou roubo — e também os 'unders' de atletas com previsão de jogar menos de 12 minutos. Conforme o jornalista, a liga vinha conversando ativamente com as grandes empresas de apostas depois dos escândalos recentes
Não é a primeira rodada de restrições. Já estavam barradas apostas envolvendo jogadores com contratos de 10 dias ou two-way, mercados de perdas de bola, e apostas ligadas a faltas e a lances livres errados. O que a torcida discute é se esse pacote resolve alguma coisa ou se apenas maquia um problema maior.
Nas reações, a medida recebeu algum crédito, mas prevaleceu a cobrança por mais. Muitos torcedores defenderam que a NBA libere apenas apostas em times, deixando de lado os mercados individuais, com o argumento de que jogadores são voláteis e mais fáceis de influenciar do que uma equipe. Torcedores apontam que o risco é claro: basta lembrar o caso de um atleta com linha de 9 rebotes que chega aos 8 e simplesmente não disputa mais nenhum, ou o jogador que perde a bola ao alto de propósito.
Outro grupo disse que só daria crédito à liga se ela cortasse de vez os laços com as casas de apostas, em vez de manter odds ao vivo e mercados individuais empurrados durante as transmissões. A resposta de sempre também apareceu: quem quiser apostar vai procurar uma casa offshore — e houve quem rebatesse que esse argumento não se sustenta, porque a maioria das pessoas não saberia nem onde encontrar esses sites. Já os mais céticos levantaram a suspeita de que as empresas cortam justamente os mercados que não davam lucro para empurrar os que dão.
Voz da torcida
- “Não resolve todos os problemas das apostas, mas dessa vez a NBA acertou.”
- “Deviam liberar só 'quem ganha o jogo'. O resto virou cassino.”
- “Corta logo o under de jogador. Jogar acima do esperado é ótimo para o esporte; abaixo, não.”
- “Apostador que quer under muda para uma casa offshore.”
- “Só dou crédito quando tirarem as odds ao vivo do meio da transmissão.”
Para boa parte da torcida, porém, a medida só estará completa quando os mercados individuais saírem de vez do cardápio — e é aí que o debate esquenta.
Guia rápido
- parlay — aposta combinada em que todos os palpites precisam acertar para pagar
- under — palpite em 'menos que' a linha estipulada pela casa, como menos de 8 rebotes
- bola ao alto — lance inicial do jogo, em que dois jogadores disputam o arremesso do árbitro
- casa offshore — operadora de apostas sediada fora do país, fora da regulação local
A “voz da torcida” é adaptada das reações no tópico do r/nba. Fonte: tópico original (Reddit)